Sabiam que...
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É impossível escrever um «conhecimento completamente abrangente» sobre a Croácia, mas é de mencionar que já em 1559 o termo utilizado para denotar tal conhecimento – enciclopédia – se encontrava no título de uma obra do humanista croata Pavle Skalić, de onde se difundiu para todas as línguas do mundo. Da mesma forma, pelo mundo espalhou-se a gravata como medida de elegância, cujos primeiros exemplos foram os lenços pitorescos nos uniformes dos soldados croatas na Guerra dos Trinta Anos. Graças ao programador croata Tomislav Uzelac, os leitores de MP3 também passaram a ser uma parte indispensável da vida quotidiana. O explorador veneziano Marco Polo nasceu cedo demais para ter um leitor destes, mas, segundo alguns investigadores, está ligado à Croácia pelo local de origem da sua família – a ilha de Korčula. Desta zona da Croácia também é originário o cão dálmata, a raça de cães indígenas croata mais famosa, sem a qual o famoso filme de animação da Disney, 101 Dálmatas, não teria existido. Para além destas, neste capítulo descobrirão muitas outras curiosidades sobre a Croácia...
A gravata, hoje um acessório de moda indispensável para homens e até mulheres, recebeu este nome segundo uma parte do uniforme dos soldados croatas na Guerra dos Trinta Anos. Como parte do seu uniforme, atavam lenços pitorescos ao pescoço. Este costume croata foi notado pelos parisienses, que o adotaram como o seu próprio acessório de moda, usado «à la croate», que era a raiz da nova palavra francesa «cravate». Este pormenor histórico é ainda hoje muito respeitado na Croácia, e o Parlamento Croata declarou o dia 18 de outubro como o Dia da Gravata.
O cão dálmata, também chamado Dalmatinac ou Dalmatiner, é a raça de cães indígenas croata mais famosa, cujo nome provém da região histórica da Dalmácia, na Croácia, onde foi criado no passado.
De acordo com algumas teorias, o nome Croata é de origem iraniana (sármata). A teoria baseia-se na etimologia do nome croata (Horoathos) e em registos antigos, tendo os mais famosos sido encontrados em duas placas de pedra do século II na foz do rio Don (Tanais).
Segundo a lenda, o fundador de San Marino no início do século IV foi o pedreiro Marin, da ilha de Rab.
Marco Polo, explorador veneziano do Extremo Oriente do século XIII, era, segundo algumas afirmações, natural da ilha de Korčula. Não há provas diretas para esta alegação, mas algumas pesquisas mostram que a família de comerciantes venezianos Polo era originária de Korčula.
O apelido Horvát ou Horváth, que significa literalmente croata, está entre os apelidos mais difundidos na Hungria e entre os membros da minoria húngara na Eslováquia. É claro que nem todos os húngaros com este apelido têm raízes croatas diretas, mas a prevalência do apelido indica laços croata-húngaros seculares e migrações populacionais no passado.






A República de Dubrovnik, através dos regulamentos de 1413 e 1416, proibia o tráfico de escravos, tendo sido, em 1466, também aprovada uma lei «contra aqueles que vendem pessoas».
A República de Dubrovnik estava politicamente dividida em dois grupos aristocráticos: os Sorboneses (nobreza mais antiga) e os Salamanqueses (nobreza mais recente). Estes nomes, no entanto, não têm origem nos locais onde os patrícios de Dubrovnik estudavam, embora façam alusão às famosas universidades de Salamanca e Sorbonne. A maioria dos ragusanos estudava em Pádua, e os nomes são um jogo de palavras popular, ironicamente distorcidos da língua italiana: os que «não têm sal na cabeça» (salamanqueses/salamankezi) e os que são «secos como uma sorva» (sorboneses/sorbonezi).
Entre as pessoas proeminentes do Império Otomano, incluindo na corte do sultão, se encontravam muitos croatas islamizados. A sua origem é evidenciada pelo adjetivo Hrvat (Hırvat em turco) com o nome: Mahmut-paša Hrvat, Pijali-paša Hrvat, Sijavuš-paša Hrvat. O mais famoso entre eles é Rustem-paša Hrvat, o grão-vizir do tempo do sultão Solimão, o Magnífico, com cuja filha casou.
O polímata e humanista croata Pavao Skalić utilizou a palavra enciclopédia no título de uma das suas obras já em 1559, com um significado semelhante ao atual.
Ao escritor croata Marko Marulić é atribuído o primeiro uso conhecido da palavra psicologia (no título da obra Psichiologia de ratione animae humanae), no sentido de ciência da alma.
Dante Alighieri, na Divina Comédia (Paraíso, Canto XXXI), menciona um croata sob a forma do peregrino comovido que observa a marca do rosto de Cristo no lenço de Verónica. Acredita-se que Dante tenha criado a personagem do peregrino em homenagem ao seu amigo, o bispo Augustin Kažotić. É também interessante que o bisneto de Dante, Nicolò, tenha gerido uma farmácia em Zagreb (1399).
O escritor irlandês James Joyce, em busca de trabalho no continente europeu, conseguiu um emprego em Pula no outono de 1904. Chegou lá com a sua então futura mulher, Nora Barnacle. Permaneceram durante quatro meses, durante os quais Joyce ensinou inglês a oficiais austro-húngaros na Escola Berlitz de Línguas Estrangeiras.
O escritor francês Júlio Verne ambientou o enredo do seu romance Mathias Sandorf, publicado em 1885, na Ístria. Inspirou-se no pitoresco abismo do Rio Pazinčica, com um castelo por cima, que desde sempre inspirou a imaginação humana.
O Museu de História Natural de Viena guarda um meteorito que caiu em 1751 perto da localidade de Hraščina, em Hrvatsko Zagorje. Um grande número de pessoas testemunhou a queda do meteorito, tendo sido elaborado um relatório especializado sobre tudo. O nome popular do meteorito é «Ferro Zagrebino».
O escritor de viagens italiano Alberto Fortis, na sua obra Viagens pela Dalmácia (1774), transmitiu a balada folclórica croata Asanaginica, posteriormente traduzida por Goethe. Johann Gottfried Herder incluiu-a na sua coletânea Volkslieder. Também foi traduzida por Charles Nodier, Prosper Mérimée, Walter Scott, Niccolò Tommaseo, Aleksandr Sergeyevich Pushkin e outros, servindo igualmente de inspiração para algumas obras literárias (o romance Corinne de Madame de Staël).






O marinheiro croata Ivan Visin foi o sexto marinheiro depois de Magalhães a circum-navegar o mundo. O capitão partiu de Antuérpia em 1852, com nove tripulantes e o navio Splendido sob a bandeira dos Habsburgos. Chegaram a Trieste em 1859.
Duas artistas croatas foram elogiadas pelos autores das obras em que atuaram. O compositor italiano Giacomo Puccini disse sobre a cantora Milka Trnina que «nenhuma Tosca se pode comparar à de Trnina», e o dramaturgo norte-americano Tennessee Williams considerou a bailarina Mia Čorak-Slavenska «a melhor Blanche DuBois» (ballet Um Elétrico Chamado Desejo).
Os mineiros de Labin, na Ístria, apoiados pela população local, revoltaram–se em 1921, assumiram a gestão da mina e fundaram a República de Labin. A revolta eclodiu principalmente devido à difícil situação e às condições de trabalho dos mineiros, mas a causa direta foi a invasão violenta da câmara dos trabalhadores em Trieste por fascistas italianos. Embora o fascismo tenha chegado ao poder em Itália em 1922, a revolta dos mineiros da Ístria é considerada o primeiro levantamento antifascista em geral.
Entre os 1600 combatentes da Jugoslávia que participaram na Guerra Civil de Espanha ao lado republicano no âmbito das Brigadas Internacionais, se encontravam 528 croatas.
Um dos três batalhões de guerrilheiros fundados na ilha de Rab a 11 de Setembro de 1943 por prisioneiros sobreviventes do campo de concentração italiano de Kampor era composto por combatentes judeus. Trata-se da primeira unidade Judaica na Europa ocupada.
Mais de uma centena de croatas receberam a medalha justo entre as nações, atribuída pelo Estado de Israel por salvar judeus no Holocausto.
Hum, na Ístria, é conhecida como a cidade mais pequena do mundo. Este povoado, fortificado em parte por muralhas e em parte por muros ligados de casas, com acesso pelo portão da cidade, tinha 52 habitantes de acordo com o censo de 2021 (30 habitantes em 2011).
A maior trufa do mundo, com 1,31 kg, foi encontrada em 1999 perto da aldeia de Livade, na Ístria, e incluída no Livro de Recordes do Guinness em 2000.
Em Zadar existe um órgão movido pelas ondas do mar. Foi construído em 2005, o autor é o arquiteto Nikola Bašić, e os coautores Ivica Stamać (som) e Vladimir Andročec (hidráulica), tendo o orçamento para a articulação do som sido fornecido pelo estúdio de órgão Heferer. Outra instalação impressionante de Bašić, «Saudação ao Sol», está localizada a poucos passos do Órgão do Mar.
Na Lua, na parte central do seu lado visível, encontra-se a Cratera Boscovich, assim designada em homenagem ao cientista croata Ruđer Bošković. Nas proximidades da cratera, existem mais sete crateras satélites, também batizadas em homenagem a Bošković. O primeiro corpo celeste com nome croata foi o asteróide Croácia, descoberto em 1906 no Observatório de Heidelberg, assim designado em homenagem à fundação do Observatório de Zagreb.
O trabalho dos MP3 players, que alegram a vida de muitas pessoas com música, tem por base a invenção do programador croata Tomislav Uzelac. Em 1997, desenvolveu um software para ouvir ficheiros de música AMP, que os alunos americanos adaptaram a fim de funcionar no Windows e lhe chamaram «WinAMP».